Não é o tamanho do corredor que incomoda.
É o peso.
Um peso invisível, que começa nos ombros e desce devagar até as pernas. Cada passo parece exigir mais do que deveria. Como se o chão puxasse o corpo para trás.
Ali, ninguém caminha inteiro. Todos atravessam carregando algo: um processo, uma acusação, uma expectativa, uma versão dos fatos que talvez nunca seja ouvida do jeito certo.
O ar é denso. As palavras ficam pequenas. A dignidade anda com passos curtos.
No corredor da injustiça, o que mais cansa não é esperar.
É sustentar a própria existência enquanto ela vira número, senha, pasta, protocolo.
E sair dali não significa estar livre.
Significa apenas estar um pouco mais leve — por alguns minutos.
R Santi

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