Imaginem uma criança que decide guardar todos seus
brinquedos desde que se sente inserido no mundo; imaginem que essa criança
virou adolescente e decide guardar todos equipamentos eletrônicos que passaram
por suas mãos; imaginem que aquela criança se tornou adulto e decide guardar
todos seus contracheques, contas pagas, carnês quitados... então esse adulto
hoje tem seus antigos brinquedos, muitos quebrados ou deteriorados com o tempo,
vários eletrônicos, queimados ou obsoletos, e toda a papelada burocrática de
dez anos após ter servido as forças armadas... Imaginem esse cidadão com 30
anos e todo esse material nas costas...
Agora imaginem que ao invés de brinquedos sejam traumas
infantis, ao invés de eletrônicos sejam magoas de amores não correspondidos,
que não sejam papeis e sim frustrações acumuladas por planos que não foram
adiante... Imaginem esse cidadão com 30 anos e todo esse peso nas costas...
A analogia proposta a ser refletida é: existe conveniência em
carregarmos tantos pesos??
Nesse ultimo dia do ano de 2014 todos esses questionamentos
vêm a mente, será que não está na hora de deixar algo ou alguém para trás para
continuarmos a caminhar de maneira mais leve, mais rápida, mais feliz?
Lembro-me logo da figura de Atlas, o titã condenado por Zeus a carregar o mundo
nas costas... quão duro foi seu castigo! Porém, diferente de Atlas, nós temos
escolhas, nada nos é imposto ou obrigatório, temos o poder de decidir entre
carregarmos toda nossa história nas costas ou deixarmos partes para trás a fim
de vivermos melhor.
Convido a todos que lerão esse texto a olhar para dentro de
nossa bagagem da alma, para nossa coleção de amigos e “amigos”, para nosso
universo, seja ele micro ou macro, sua casa ou seu quarto... olhem para eles,
analisem, pensem, julguem e decidam o que vale a pena continuar carregando ou o
que pode ser lançado ao vento... sim, acredito que algumas coisas e pessoas são
descartáveis, principalmente aquelas que te dificultam o caminhar adiante,
então chega o momento de deixarmos os sentimentos de lado e usarmos a razão
para decidir se aquele brinquedo que temos desde nossa infância ainda nos serve
para algo ou devemos doa-lo ou até mesmo jogarmos no lixo...
Se te serve aqui um conselho, caro irmão, amigo e leitor...
leve sempre contigo um espelho na tua jornada, dê uma olhada esporádica nele,
mas não olhe para trás pois aquele que o faz há de tropeçar no presente e cair
no futuro.
Planeje o tangível, sonhe o impossível e realize o que
depender unicamente de suas forças!
Um ótimo 2014 para todos!
Por Rodrigo Akram Abdullah

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