Alice no país das UPPs



Depois de muito tempo sem escrever vou dedicar um post a esta “maravilha” do governo do estado, as UPPs.

Antes resumia a escrever apenas sobre Duque de Caxias e o terceiro reich de Dom Zito I, ainda restam muitos assuntos sobre esta cidade, onde o lixo brota aos borbotões e os insetos se regojizam e se proliferam como coelhos ninfomaníacos, mas vou dar uma trégua para falar de um assunto mais amplo e que interfere diretamente em nossa cidade também.

Depois de muitos anos sem um projeto de segurança sério e com toda a indiferença que os governos trataram este assunto surgiu em nosso estado a fenomenal idéia das UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora). Como não foi de se espantar, o projeto piloto foi implantado em área nobre da cidade do Rio de Janeiro que, logo em seguida obtendo êxito, se proliferou ainda por regiões burguesas até alcançar a zona central e norte da capital fluminense. Fora um marco histórico para o estado, finalmente as forças do bem venciam as forças do mal... seria real toda essa reação? As operações se mostraram eficazes em banir os narcotraficantes das regiões dominadas pelos guerreiros fardados; farta munição, armas e drogas foram apreendidas, mas para onde foram todos os combatentes das forças malignas? As prisões desses facínoras ainda estão aquém do contingente sabido pela polícia nas comunidades pacificadas, o que nos leva a crer, e já fora comprovada, a migração para outras regiões do estado, principalmente a nossa baixada fluminense, onde existem muitas comunidades e um mercado aquecido que cada vez mais consome a pedra do mal. Sabendo que a polícia não é municipalizada, como nos EUA, é de obrigação do governo do estado estender essas unidades a todas as comunidades do Rio de Janeiro, não só privilegiando a capital, mas será que temos ou teremos verba para aumentar o contingente a ponto de atender a todos? Acredito ser pouco provável, então saímos de uma política de segurança que enxugava gelo para uma que varre a sujeira para debaixo do tapete, o que é muito providencial e conveniente na véspera de grandes eventos esportivos e, indiretamente, para o mercado imobiliário que especula e colocam seus preços em órbita intergaláctica.

Muito me preocupa este projeto de Unidades de Polícia Pacificadora por haver muitas perguntas difíceis de serem respondidas: terá o governo interesse em estender o programa a outras regiões do estado? Mas, o mais preocupante é, será que os governos vindouros darão prosseguimento ao projeto? E se não derem, o que acontecerá com a população que confiou, apoiou e ajudou a polícia?

Essas UPPs me fazem recordar os CIEPs do governador Leonel de Moura Brizola, que despontaram como a solução, ou o caminho, para termos uma educação com melhor qualidade, e o era! Um belo projeto deste citado governo junto ao mestre Darcy Ribeiro que em seus devaneios acreditavam ser possível uma escola em tempo integral, tudo perfeito até o remanejamento das verbas da educação para outros fins, com isso o projeto fora esquartejado até seu melancólico fim. Atualmente só nos restam os esqueletos da utopia de um gênio da educação, que em dado momento nos fez acreditar que seria possível sonhar com um ensino público de qualidade, mas deixemos o saudosismo de lado e voltemos ao atual governo.

Caso este projeto seja abandonado, como os CIEPs, não teremos apenas velhos prédios semi-abandonados, mas um banho de sangue dos vingativos traficantes que tomarão de volta o espaço que o Estado alugou durante os jogos. E quem será responsabilizado por tal irresponsabilidade?

Estamos falando de democracia, sistema político leviano onde não há coerência, e os interesses pessoais e escusos de poucos estão acima do interesse coletivo; onde heróis são nomeados vândalos, guerreiros de farda transformados em bandidos e senhores do saber taxados de vagabundos.

Sinceramente não me iludo com pirotecnia e soluções miraculosas, a idéia é boa, mas não é funcional e desde já mostra sua fragilidade em denúncias de policiais mal remunerados e sem condições alguma de efetuar um bom trabalho nas comunidades.

Muito me frustra ver a enorme minoria de bons políticos nadando contra a corrente neste mar de lama chamada política, mas o que mais me entristece é pensar que um dia terei que pedir perdão ao meu filho por tê-lo dado a vida... 

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